A escola do rock existe. Fica no Rio Grande do Sul

30 04 2009

LÍGIA NOGUEIRA, DO G1, EM SÃO PAULO

Na espera da central telefônica, “Rock the casbah”, do The Clash.

 
No site da universidade, instrumentos musicais e discos de vinil de nomes como Velvet Underground e David Bowie. Poderia ser o filme “Escola do Rock” (2003) – sobre um guitarrista desempregado que resolve se passar por professor de música de uma escola primária e acaba formando uma banda da pesada -, mas é o novo curso superior de Formação de Músicos e Produtores de Rock da Unisinos, em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul. 

Escola de Rock

Escola de Rock

No lugar do ator Jack Black, é o roqueiro gaúcho Frank Jorge quem protagoniza a história real, na função de professor e coordenador. A primeira turma deve ocupar as salas de aula no início de 2007.

“A faísca aconteceu quando o Fabrício Carpinejar, criador do curso de Formação de Escritores e Agentes Literários [e filho do imortal Carlos Nejar, membro da Academia Brasileira de Letras], levantou a questão”, conta Jorge. “O curso dele também gerou uma reação interessante, um questionamento. Naquele mesmo dia cheguei em casa e comecei a pensar em algo anticonvencional, que fornecesse os conhecimentos necessários para ajudar um músico a administrar a carreira, abordando questões como softwares usados e direitos autorais”, conta, reforçando que esta não será uma tentativa de “enquadrar o rock”. 

O professor João Paulo Sefrin, regente do coral da Unisinos, professor do novo curso e fanático por Led Zeppelin, faz coro com Frank Jorge: “a impressão que se tem é que tudo o que não é música erudita carece de profundidade, o que não é verdade. Por isso vamos dar enfoque à música pop e ao rock – que não deixam de fazer parte de uma grande história que tem a ver com concerto e música clássica.”

A mensalidade do curso, que tem dois anos e meio de duração e engloba módulos como contrução de referências e elaboração de repertório, custa R$ 877. As inscrições para o vestibular estão abertas até o dia 29 de novembro. “Já temos 30 inscritos, o que é um número surpreendente”, comenta o ex-Cascavelletes e atual integrante da banda Graforréia Xilarmônica, que aliás promete disco novo para o final do ano. “A prova está marcada para o dia 2 do próximo mês, e a idéia é ter 40 alunos, no máximo.” 

Fã do filme estrelado por Jack Black, Frank Jorge diz se preocupar com a seriedade. “A história de ‘Escola do Rock’ é romanceada. A maneira como o curso se materializa na universidade não tem esse grau performático”, fala. “Não vou medir esforços para que o aprendizado seja intenso”, acrescenta, contando que vai abrir o seu acervo pessoal aos alunos. O que já é um ótimo sinal, já que entre seus discos de cabeceira estão “Rubber soul”, dos Beatles, “Pet sounds”, dos Beach Boys, e a caixa “Back to mono”, do produtor Phil Spector que, “entre outros feitos, participou do filme ‘Easy rider’ e produziu discos dos Beatles e dos Ramones.”

notícia originalmente publicada no site G1